quinta-feira, 25 de abril de 2013

Parceria em benefício do homem do campo



No último sábado a comunidade de Serra dos Bois recebeu o primeiro caminhão de cana-de-açúcar para ração animal. Esta ação é uma parceria do Governo Estadual e a Prefeitura do município através da Secretaria de Agricultura, que vem fazendo o possível para amenizar o sofrimento dos criadores do cariri taquaritinguense diante da maior estiagem dos últimos cinquenta anos.
O secretário de agricultura do município Júlio César Pontes, tem se esforçado ao máximo para que essas ações cheguem com maior rapidez ao homem do campo. E a associação faz a sua parte agilizando a documentação e enviando com antecedência, uma parceria que dá resultados positivos.

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Projeto Mais cultura, cine AASB







            Com o intuito de levar cultura e entretenimento  ao  nosso povo, a Associação de agricultores de Serra dos Bois levou  cinema gratuito para a comunidade,  o cine AASB, é parte do projeto mais cultura implantado pela Associação que visa  através do cinema, levar conhecimentos cultuais e ao mesmo tempo a valorização desse seguimento. O cine AASB,  foi um sucesso  de publico tanto local quanto das comunidades vizinhas  e  acontecerá  mensalmente na cede  da Associação,  essa é uma  iniciativa Louvável  e digna de aplausos, com certeza servirá de exemplo para  outras comunidades e para o poder publico que só agora, começa a desenvolver projetos culturais. Saímos na frente e esperamos  que essa iniciativa receba apoio do poder publico, declarou Geraldinho, presidente da associação.

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Ludugero França



Escrever sobre uma pessoa com a qual não se teve quase nenhum contato é muito complicado, difícil e até impossível. Acontece que há muitos dias venho pensando em Ludugero França; como sabemos é filho de seu Amaro França e de nossa saudosa tia Francisca ou tia Neném. Tendo como irmãos: Luiz França, Maria França, Doralice, Zé França, Zita, Ana e João, que infelizmente, assim como Luiz França não se encontram mais conosco.
Não tive muito contato com Ludugero, pois ele é da geração de meu pai e quando pequeno, Ludugero só vivia longe de Serra dos Bois trabalhando, uma de suas marcas mais importantes.
Teve Serra dos Bois o privilégio de ser um lugar que abriga só pessoas de boa índole e de bom caráter. Grupo de pessoas que Ludugero não poderia fica de fora, pois ele sempre teve como lema o trabalho e a constituição de uma família maravilhosa. Ele, ainda jovem conheceu sua esposa, Maria, filha de seu Lino e de Olívia. Família cheia de alegria a qual enche Gravatá do Ibiapina de orgulho.
Logo que se casaram Maria e Ludugero moraram por algum tempo na vila de Gravatá do Ibiapina, porém com Eva e Everaldo, bem pequenos ainda, esse casal cheio de virtudes foi morar em Serra dos bois, onde até hoje forma sua morada.
Ludugero e Maria tiveram além de Eva e Everaldo citados acima  outros filhos: Dedé, Eugênio, Francisca, Eraldo e Evaldo. Hoje, com exceção de Everaldo  parece que todos seus filhos se encontram casados. E Ludugero e Maria continuam levando uma vida maravilhosa em Serra dos Bois.
Ludugero foi um revolucionário, pois sempre trazia para Serra dos Bois coisas novas. Foi através dele que Luiz França trouxe para Serra dos Bois o cultivador, máquina que servia para limpara mato. Se não fosse Ludugero, que trabalhando para Amauri Genuíno, do Gravatá de Ibiapina e para Leó, dono da fazenda Urubu, todos nós ainda, hoje, estávamos limpando mato com uma enxada, enxada daquelas que  só seu Biu Quinca sabia encabar, ou melhor, por um cabo. Cuja madeira que servia para encabar enxada nascia em seu roçado.
Desde pequeno, sempre gostei de ouvir Ludugero França. Ele tem uma conversa extraordinária, gosta de fazer amizade e contagia as pessoas com sua honestidade sinceridade. Nunca vimos Ludugero formar uma briga com alguém. Ludugero, portanto, é um patrimônio de Serra dos Bois e todos nós devemos a ele muita gratidão e respeito.
Meu sonho é gravar um depoimento de Ludugero França contando sua vida, para servir de exemplo para todos nós. Cercado de emoção e carinho não me resta dúvida que esta é uma homenagem que posso fazer ao meu amigo Ludugero e, com certeza, muita gente terá, como eu a mesma vontade de dizer: “Ludugero, você é muito importante para Serra dos Bois e para nossa família”

Por: Antônio Martins de Farias


domingo, 10 de março de 2013

Primeira Sexta-Feira





Toda primeira sexta-feira de cada mês era a mesma coisa. Acordava-se, bem cedo, às seis horas, pegava-se o jumento que ficava no cercado ou amarrado à beira do roçado. Depois, tomava-se o café acompanhado de batata doce, comprada de Pedro Lino, que possuía um açude e em sua vazante colhia batata, feijão e outras verduras.Vendia os legumes por alguns tostões, mas os vendia. Ganhar dinheiro para Sancha era uma questão de honra.
Punha-se a cangalha com um par de caçuá ou a sela no jumento; seguia-se para Gravatá do Ibiapina. No Bandeira começava a festa. Todo mundo à estrada; no mesmo rumo; na mesma direção; com o mesmo desiderato: assistir à missa, às dez horas, celebrada pelo padre de Taquaritinga do Norte. Às vezes, levavam-se as crianças para o batismo, com medo de que elas morressem pagãs.
Era tanta gente que dava para ouvir o eco dos chinelos atrás das cercas de avelós. Às nove horas, entrava-se em Gravatá. Era tanta gente que parecia um enterro ou uma procissão. Cada pessoa ou família tinha uma casa para se hospedar;para lavar o rosto e trocar os chinelos por uma sandália mais nova e, às vezes, mudar de roupa, ou tirar da bolsa a mantilha a ser usada na hora da missa. Todas as senhoras usavam uma mantilha para assistir à missa! Era bonito.
De repente ouvia-se um barulho de um motor. Era o Jeep do Padre. O motorista quando chegava mais ou menos na metade de Gravatá do Ibiapina passava uma primeira, forçando o motor e subia a ladeira;indo parar em frente à igreja. Alguém, de plantão, toca o sino. Começava a correria para ser a primeira ou segundo a se confessar, livrando-se mais cedo dos pecados, que no próximo mês se repetiam. O padre ficava tanto tempo sentado ouvindo os cristãos que se levantava concorda de tanta dor nas costas e dos pecados que ouvia.
Após a missa, corria-se de volta às casas.Já era hora de comer feijão com farinha e carne seca. Nesta hora todas as casas fechavam as portas.Quem estivesse de fora só sentia o cheiro da carne assada e do ovo frito. Após o almoço ia-se ao mercado fazer a feira. A banca de Antônio Paca tinha doce, confeito, rapadura, cocada, mata fome e biscoito de polvilho para as crianças que possuíam dinheiro. Para àquelas que não sobravam algumas moedas, só restava a tristeza, que, ocasionalmente era quebrada por mais velho que sabia quanto doía no coração de uma criança não poder comer uma cocada na feira.
Já fora do mercado, podiam-se comprar panelas de barro com seu Gracindo, cortava-se o cabelo com Zé Manoel ou com seu Amaro, com seu Enéias. Podia-se vender algodão a Zé Pereira, seu Dozinho Bernardo ou a seu Luiz Amaro de Toritama. Do brejo vinham as frutas das mais variadas espécies. As mais cheirosas eram as jacas e as bananas. Concorriam com a barraca de miudezas e com o vendedor de pentes, espelhos e perfumes de todos os aromas.
Terminada a feira, com os trocos que sobravam engraxava-se os sapatos com Antônio Teca e aos mais ricos permitia-se o luxo comprar umas selas ou arreios de seu Graçu ou de seu Deda Clemente ou umas alpercatas com seu João da Luz.
Por fim, podia-se assistir à cena do soldado Zé Antônio prendendo os que ficavam bêbados ao final do dia e assim de lembrança em lembrança foi-se o tempo que não volta mais e Gravatá do Ibiapina, lá assistindo, parado, chorando de saudades daqueles que não estão mais com a gente.

Por:Antônio Martins de Farias

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

SEU MARRECA




 Imagem ilustrativa

Há que creditar aos nossos pais, boa parte de nosso patrimônio intelectual, pois quando pequenos, por eles somos levados às mais variadas caminhadas que se traduzem em saber e em lembranças, às vezes trágicas, ao contrário disso, a alegria também colore nossa vida com cores vivas e agradáveis para sempre.
 Numa “destas caminhadas, por exemplo, lembro-me do encontro com seu Marreca. Ele vivia, indo e voltando de Pedra Preta para sua casa. Primeiro, eu não sabia onde ele morava, só me disseram que  ele morava perto do Riacho de Santo Antônio.
Às vezes, pensava que seu Marreca morava com os papagaios, pois só era visto pela manhã ou à noite: indo ou voltando de seu roçado. Pelos caminhos das Areias, quando se ouvia o estalar de um chicote, imaginava-se que era seu Marreca, parecendo um tropeiro, tangendo seus burros de carga.

Seu Marreca era um senhor alto e de cara fechada, pouco sorria. Usava geralmente um chapéu de couro e trajava-se de roupa com a cor azul. Algumas vezes tangia uma burra castanha, com uma cangalha e um par de caçoar; outras ocasiões usava o animal como montaria.
 Assim, neste ir e vir seu Marreca ficou na memória de muita gente, que comungaram da alegria de ser e pertencer à comunidade de Serra dos Bois e fazer parte de sua história, inclusive, seu Marreca.
Por: Antônio Martins de Farias.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Genuíno Jorge Martins – Nosso Gino



Prosseguindo a caminhada rumo à inclusão de todas as pessoas que nasceram e viveram em Serra dos Bois não podemos esquecer-nos de um personagem de Gravatá do Ibiapina: Genuíno Jorge Martins, filho de tia Luísa Martins da Cunha o tio Jorge Genuíno da Cunha, ambos com parentes em Serra dos Bois.
Gino, como carinhosamente o conhecíamos, tem como seus irmãos José, Pedro, Zé Paulo e sua única irmã Dudu, esposa de Clodoaldo, nosso querido Doca, também com parentes em Serra dos Bois, especialmente a família de seu Zé Ramos, pai de Otávio Ramos e Manoel de Lulu, entre outros.
Genuíno era afilhado de Hermes Ludugero de Farias, morador de Serra dos Bois. Hermes tinha um carinho todo especial pelo seu afilhado; por isso Gino nunca saia de Serra dos Bois. Enquanto criança ficava na casa de Hermes e quando virou rapaz fixou-se   na casa de Arnóbio, no entanto, não se afastando de nossa convivência.
Gino é pessoa muito simpática e faz amizade com facilidade. Fez presepadas como todo menino e jovem fazem na nascente vida. Seu amor pelos jumentos foi sua perdição. Chegou a levar um jegue para dormir dentro de casa, com medo que o ladrão de cavalo Zé Gordinho, da cidade de Surubim, PE, levasse seu jerico. Tal jerico era um jumento preto e muito baixeiro. Ia de Gravatá do Ibiapina a Serra dos Bois em vinte minutos, bem mais rápido do que os Toyotas de Santa Cruz.
Infelizmente Gino foi visto pela última vez morando na Região Norte. Deve ter família, porém não se sabe se ele ainda é vivo e em qual cidade mora. Gino, pelo seu jeito carinhoso de ser, nos deixou com muita saudade e com muito desejo de conhecer e saber sobre sua família, se a tem, afinal também o é nossa.

Antônio Martins de Farias

O Verão e a Chuva



                                    
                                                 
    


O mato está seco; a terra rachada; a poeira pelo chão, crianças buscam água na carroça de jumento e brincam na lama rachada do ultimo açude que secou. Rastros de calangos e lagartixas que buscam uma sombra difícil de encontrar em virtude das árvores se encontrarem secas, peladas e sem folhas por causa do verão. Assim é o verão que castiga o cariri sem, no entanto, levar o  homem  a esquecer que Deus não lhes abandona por completo.
E dezembro termina e o ano também. O relâmpago e o trovão surgem nos Céu, vindos do lado do sertão. O primeiro sinal de chuva se tem quando as formigas não fazem suas moradas nos riachos e regos dos roçados e os tetéus constroem seus ninhos nos altos das capoeiras.
De repente a chuva chega. Muitas vezes só dar para apagar a poeira dos caminhos. Quando o inverno se firma no cariri, o sol começa a se esconder como menino amuado dando sinal de que não quer escovar os dentes; dormir cedo e aprender a rezar, como antigamente. A chuva chega de repente fazendo o chão seco ficar molhado; os regos e riachos se enchem d’água. E, após a chuva, os bancos de areias formam desenhos iguaizinhos àqueles que as nuvens formam no Céu.
O homem feliz olha para o firmamento; tira seu chapéu e agradece a Deus o presente divino, mesmo sabendo que a chuva é passageira. Mais feliz fica o homem quando percebe os riachos cheios, levando as cercas dos roçados. Ouvindo os sapos cantando nos barreiros e riachos e açudes sangrando. Ouve os jumentos correndo e brigando, como se fosse uma festa pelo verde dos campos.
Com as chuvas papa-sebo munda de cor e vira papa-lagartas; galo de campina munda de pena e de cor; o concriz de vermelho passa a ser amarelo e o sapo vira cururu. O gado escramuçar adivinhando chuva e formando um balé clássico do mundo animal. É uma festa quando a chuva chega ao sertão e cariri. Que Deus se lembre de nós e em 2013 chova em nossa terra.

Antônio Martins de Farias