domingo, 10 de março de 2013

Primeira Sexta-Feira





Toda primeira sexta-feira de cada mês era a mesma coisa. Acordava-se, bem cedo, às seis horas, pegava-se o jumento que ficava no cercado ou amarrado à beira do roçado. Depois, tomava-se o café acompanhado de batata doce, comprada de Pedro Lino, que possuía um açude e em sua vazante colhia batata, feijão e outras verduras.Vendia os legumes por alguns tostões, mas os vendia. Ganhar dinheiro para Sancha era uma questão de honra.
Punha-se a cangalha com um par de caçuá ou a sela no jumento; seguia-se para Gravatá do Ibiapina. No Bandeira começava a festa. Todo mundo à estrada; no mesmo rumo; na mesma direção; com o mesmo desiderato: assistir à missa, às dez horas, celebrada pelo padre de Taquaritinga do Norte. Às vezes, levavam-se as crianças para o batismo, com medo de que elas morressem pagãs.
Era tanta gente que dava para ouvir o eco dos chinelos atrás das cercas de avelós. Às nove horas, entrava-se em Gravatá. Era tanta gente que parecia um enterro ou uma procissão. Cada pessoa ou família tinha uma casa para se hospedar;para lavar o rosto e trocar os chinelos por uma sandália mais nova e, às vezes, mudar de roupa, ou tirar da bolsa a mantilha a ser usada na hora da missa. Todas as senhoras usavam uma mantilha para assistir à missa! Era bonito.
De repente ouvia-se um barulho de um motor. Era o Jeep do Padre. O motorista quando chegava mais ou menos na metade de Gravatá do Ibiapina passava uma primeira, forçando o motor e subia a ladeira;indo parar em frente à igreja. Alguém, de plantão, toca o sino. Começava a correria para ser a primeira ou segundo a se confessar, livrando-se mais cedo dos pecados, que no próximo mês se repetiam. O padre ficava tanto tempo sentado ouvindo os cristãos que se levantava concorda de tanta dor nas costas e dos pecados que ouvia.
Após a missa, corria-se de volta às casas.Já era hora de comer feijão com farinha e carne seca. Nesta hora todas as casas fechavam as portas.Quem estivesse de fora só sentia o cheiro da carne assada e do ovo frito. Após o almoço ia-se ao mercado fazer a feira. A banca de Antônio Paca tinha doce, confeito, rapadura, cocada, mata fome e biscoito de polvilho para as crianças que possuíam dinheiro. Para àquelas que não sobravam algumas moedas, só restava a tristeza, que, ocasionalmente era quebrada por mais velho que sabia quanto doía no coração de uma criança não poder comer uma cocada na feira.
Já fora do mercado, podiam-se comprar panelas de barro com seu Gracindo, cortava-se o cabelo com Zé Manoel ou com seu Amaro, com seu Enéias. Podia-se vender algodão a Zé Pereira, seu Dozinho Bernardo ou a seu Luiz Amaro de Toritama. Do brejo vinham as frutas das mais variadas espécies. As mais cheirosas eram as jacas e as bananas. Concorriam com a barraca de miudezas e com o vendedor de pentes, espelhos e perfumes de todos os aromas.
Terminada a feira, com os trocos que sobravam engraxava-se os sapatos com Antônio Teca e aos mais ricos permitia-se o luxo comprar umas selas ou arreios de seu Graçu ou de seu Deda Clemente ou umas alpercatas com seu João da Luz.
Por fim, podia-se assistir à cena do soldado Zé Antônio prendendo os que ficavam bêbados ao final do dia e assim de lembrança em lembrança foi-se o tempo que não volta mais e Gravatá do Ibiapina, lá assistindo, parado, chorando de saudades daqueles que não estão mais com a gente.

Por:Antônio Martins de Farias

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

SEU MARRECA




 Imagem ilustrativa

Há que creditar aos nossos pais, boa parte de nosso patrimônio intelectual, pois quando pequenos, por eles somos levados às mais variadas caminhadas que se traduzem em saber e em lembranças, às vezes trágicas, ao contrário disso, a alegria também colore nossa vida com cores vivas e agradáveis para sempre.
 Numa “destas caminhadas, por exemplo, lembro-me do encontro com seu Marreca. Ele vivia, indo e voltando de Pedra Preta para sua casa. Primeiro, eu não sabia onde ele morava, só me disseram que  ele morava perto do Riacho de Santo Antônio.
Às vezes, pensava que seu Marreca morava com os papagaios, pois só era visto pela manhã ou à noite: indo ou voltando de seu roçado. Pelos caminhos das Areias, quando se ouvia o estalar de um chicote, imaginava-se que era seu Marreca, parecendo um tropeiro, tangendo seus burros de carga.

Seu Marreca era um senhor alto e de cara fechada, pouco sorria. Usava geralmente um chapéu de couro e trajava-se de roupa com a cor azul. Algumas vezes tangia uma burra castanha, com uma cangalha e um par de caçoar; outras ocasiões usava o animal como montaria.
 Assim, neste ir e vir seu Marreca ficou na memória de muita gente, que comungaram da alegria de ser e pertencer à comunidade de Serra dos Bois e fazer parte de sua história, inclusive, seu Marreca.
Por: Antônio Martins de Farias.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Genuíno Jorge Martins – Nosso Gino



Prosseguindo a caminhada rumo à inclusão de todas as pessoas que nasceram e viveram em Serra dos Bois não podemos esquecer-nos de um personagem de Gravatá do Ibiapina: Genuíno Jorge Martins, filho de tia Luísa Martins da Cunha o tio Jorge Genuíno da Cunha, ambos com parentes em Serra dos Bois.
Gino, como carinhosamente o conhecíamos, tem como seus irmãos José, Pedro, Zé Paulo e sua única irmã Dudu, esposa de Clodoaldo, nosso querido Doca, também com parentes em Serra dos Bois, especialmente a família de seu Zé Ramos, pai de Otávio Ramos e Manoel de Lulu, entre outros.
Genuíno era afilhado de Hermes Ludugero de Farias, morador de Serra dos Bois. Hermes tinha um carinho todo especial pelo seu afilhado; por isso Gino nunca saia de Serra dos Bois. Enquanto criança ficava na casa de Hermes e quando virou rapaz fixou-se   na casa de Arnóbio, no entanto, não se afastando de nossa convivência.
Gino é pessoa muito simpática e faz amizade com facilidade. Fez presepadas como todo menino e jovem fazem na nascente vida. Seu amor pelos jumentos foi sua perdição. Chegou a levar um jegue para dormir dentro de casa, com medo que o ladrão de cavalo Zé Gordinho, da cidade de Surubim, PE, levasse seu jerico. Tal jerico era um jumento preto e muito baixeiro. Ia de Gravatá do Ibiapina a Serra dos Bois em vinte minutos, bem mais rápido do que os Toyotas de Santa Cruz.
Infelizmente Gino foi visto pela última vez morando na Região Norte. Deve ter família, porém não se sabe se ele ainda é vivo e em qual cidade mora. Gino, pelo seu jeito carinhoso de ser, nos deixou com muita saudade e com muito desejo de conhecer e saber sobre sua família, se a tem, afinal também o é nossa.

Antônio Martins de Farias

O Verão e a Chuva



                                    
                                                 
    


O mato está seco; a terra rachada; a poeira pelo chão, crianças buscam água na carroça de jumento e brincam na lama rachada do ultimo açude que secou. Rastros de calangos e lagartixas que buscam uma sombra difícil de encontrar em virtude das árvores se encontrarem secas, peladas e sem folhas por causa do verão. Assim é o verão que castiga o cariri sem, no entanto, levar o  homem  a esquecer que Deus não lhes abandona por completo.
E dezembro termina e o ano também. O relâmpago e o trovão surgem nos Céu, vindos do lado do sertão. O primeiro sinal de chuva se tem quando as formigas não fazem suas moradas nos riachos e regos dos roçados e os tetéus constroem seus ninhos nos altos das capoeiras.
De repente a chuva chega. Muitas vezes só dar para apagar a poeira dos caminhos. Quando o inverno se firma no cariri, o sol começa a se esconder como menino amuado dando sinal de que não quer escovar os dentes; dormir cedo e aprender a rezar, como antigamente. A chuva chega de repente fazendo o chão seco ficar molhado; os regos e riachos se enchem d’água. E, após a chuva, os bancos de areias formam desenhos iguaizinhos àqueles que as nuvens formam no Céu.
O homem feliz olha para o firmamento; tira seu chapéu e agradece a Deus o presente divino, mesmo sabendo que a chuva é passageira. Mais feliz fica o homem quando percebe os riachos cheios, levando as cercas dos roçados. Ouvindo os sapos cantando nos barreiros e riachos e açudes sangrando. Ouve os jumentos correndo e brigando, como se fosse uma festa pelo verde dos campos.
Com as chuvas papa-sebo munda de cor e vira papa-lagartas; galo de campina munda de pena e de cor; o concriz de vermelho passa a ser amarelo e o sapo vira cururu. O gado escramuçar adivinhando chuva e formando um balé clássico do mundo animal. É uma festa quando a chuva chega ao sertão e cariri. Que Deus se lembre de nós e em 2013 chova em nossa terra.

Antônio Martins de Farias

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Projeto em andamento



 da esquerda do seu monitor, Fabio Junior, presidente do concelho, Julio Cezar secretario de agricultura, Joseane e Maria engenheiras do prorural, Geraldinho presidente da associação  e Claudio concelheiro fiscal.
Na ultima sexta feira dia 25, a comunidade de Serra dos bois recebeu a visita de uma equipe do Prórural para dar prosseguimento aos tramites do projeto de infraestrutura e abastecimento de agua com chafariz, o presidente do concelho sustentável  e o secretario de agricultura também participaram da visita e foram recebidos pelo presidente da Associação de agricultores de Serra dos Bois  que prestou todas as informações necessárias para o andamento do projeto. Vale ressaltar,  que só na comunidade serão beneficiadas trinta e cinco famílias, podendo também alcançar outras comunidades e atender  mais de  oitenta.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Taquaritinga: Zona rural recebe poços artezianos


                                





                                                    
 Com o objetivo de combater a forte seca que assola a região e dotar o semiárido da Dália da Serra de melhorias na infraestrutura hídrica, o Instituto Agronômico de Pernambuco (IPA) em parceria com a Prefeitura de Taquaritinga do Norte, iniciou nesta quarta-feira (23/janeiro), a perfuração de 12 poços artesianos que atenderão cerca de mil famílias nas comunidades de Serra dos Bois, Pedra Preta, Baraúna Furada, Situação, Fazenda Bom Nome, Assentamento Barreiras, Espírito Santo, Monteiro, Açudinho e Placas. Esta ação faz parte de uma série de reivindicações feitas pelo Prefeito Evilásio Araújo por ocasião da visita do Secretário de Agricultura do Estado Ranilson Ramos a Taquaritinga do Norte no último dia 10 de janeiro.
Júlio César, Secretário Municipal de Agricultura e Pecuária, juntamente com sua equipe, estão acompanhando o trabalho nas comunidades a serem atendidas.

“Fizemos a escolha dos locais que receberão os poços por critérios técnicos, essas benfeitorias irão diminuir consideravelmente o sofrimento do homem do campo e atender cerca de mil famílias do cariri taquaritinguense”, declarou o Secretário. Os trabalhos começaram na comunidade de Serra dos Bois onde dois poços foram perfurados, com vazões  de 600 e 1.2000 litros hora e o mais importante com água de boa qualidade,  esse poço vai ajudar muito o abastecimento de água  nos períodos de estiagem como agora, que estamos passando dificuldades  foi uma grande conquista, declarou o agricultor Adão Pontes, já agricultora Margarida Aragão, considerou a ação uma benção de Deus, o coordenador da associação de agricultores de Serra dos Bois, Geraldinho, disse que  essas ações, é resultado do trabalho sério, feito por pessoas comprometidas com suas obrigações, quando as pessoas certas estão no lugar certo as coisas acontecem, pontuou Geraldinho.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Comunidade do Jerimum, celebra são Sebastião



A comunidade do Jerimum, zona rural de Taquaritinga do Norte, estará vivenciando entre os dias 17 e 20 de janeiro a festa de seu padroeiro São Sebastião, evento que promete atrair um bom público e movimentar neste fim de semana o cariri da Dália da Serra.
Assim como nos demais eventos deste gênero, a Festa de São Sebastião conta com a programação religiosa e também com a parte festiva, que esse ano terá muito forró para animar o público presente com shows das bandas Forró do Bardhigão e Forró Zero Grau, que se apresentarão a partir de 23 horas na sexta-feira (18/janeiro) e as bandas Forrozão Tá nas Bases e Bidinga do Acordeom que se apresentarão no mesmo horário no sábado.
No domingo (20) grande dia da festa, o pároco Padre Ivemar realizará por volta das 15h os batizados, realizando em seguida a tradicional procissão em devoção a São Sebastião pelas principais vias da localidade finalizando com a celebração campal da Santa Missa. Vale a pena conferir mais um evento na Dália da Serra.