quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Encantos de Serra dos Bois.







Seja no inverno, no verão, no outono ou primavera, passear pelos recantos e encantos de Serra dos Bois e adjacências tem seu preço: bons momentos de alegria e aprendizado sobre o meio ambiente e um povo hospitaleiro e de uma sinceridade e honestidade inigualável.
Primeiro pediremos licença para adentramos a fazenda Açude Novo. Lá, vamos visitar a Serra Lavrada. No topo daquela serra existe uma sequência de cores  nas pedras, marcando, talvez, notícias da ancestralidade de vários povos. A Serra Lavrada, de um lado, pertencia ou pertence ainda às Noventas. “Noventas” representa um trecho de terra cujas medidas equivalem noventa braças de largura, medida utilizada pelo sertanejo para medir as terras de suas propriedades. As “Noventas” faz divisa com o sítio das Barrocas, de seu João Borges e com as terras do Jerimum. Ou ainda, com a Serra dos Bois, a qual nossos vizinhos mais antigos a chamavam de Serra dos Aleixos. Tal apelido é devido a nossa ancestralidade ou família Aleixo, que formou os primeiros moradores de Serra dos Bois. Há também uma variedade enorme de arvores e plantas; como angico, jurema, catingueira, marmeleiro, imburana, facheiro, lastrado, urtiga e favela; caroá, para se fazer corda, e muitas outras espécies. Sem esquecer-se de nossa macambira, da cana de macaco e do coco catolé. Pedras e locas param brincar de se esconder e curtir a felicidade. Tem também muitos pés de imbu que alimenta as cabras e os jabotis. Encontram-se também muitos caramujos de várias cores e tamanho.
Descendo para o lado da serra de Manoel Manso, vamos encontrar o Olho d’água, antiga cacimba que nossos antepassados fizeram para amenizar os efeitos da seca. Lá, muitos caçadores e cangaceiros, fizeram tocaia para matar arribaçã, juritis, rolinha cascavel e outras espécies de aves, tempo que não combina com os tempos atuais. Mesmo assim não podemos condená-los, pois eles não sabiam das consequências. Condenar o passado, sem dar-lhe o direito de se defender é um crime grave também.
À noite, um verdadeiro espetáculo, ver a lua cheia e ouvir o tric, tric dos grilos, o som do vento e o barulho dos galhos das árvores se tocando, como se fosse um casal de namorados apaixonados se tocando e sentindo em seu corpo a felicidade que só o amor é capaz de proporcionar.
Vale a pena ir a Serra dos Bois e visitar a Serra Lavrada.



Antônio Martins de Farias

sábado, 25 de agosto de 2012

Coluna reflexão



SÁBADO, 25 DE AGOSTO DE 2012

 por : Marcos Pontes

 Todos nós sabemos do significado e conceito de  zona rural (CAMPO), e principalmente da  importância dessa região não urbanizada e destinada a atividade de agricultura e pecuária, o homem do campo tem um papel muito importante no contexto social, pois é de lá que é extraído os alimentos para toda a população e é com essa consciência que a gestão de Evilasio e lero tem dado um apoio: técnico, logístico e social nunca antes visto nessa região.

Com uma equipe liderada pelo secretário de agricultura e pecuária Júlio César, que tem na determinação e organização seu ponto forte o governo municipal através das parcerias com: IPA, SENAR, CONSELHO MUNICIPAL DE DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL, SINDICATO DOS TRABALHADORES RURAIS, MDA (ministério do desenvolvimento agrário), PRORURAL, e os bancos do BRASIL E DO NORDESTE, está trazendo muitos benefícios que está mudando profundamente a qualidade de vida da população dessa região. Baseada principalmente na agricultura familiar que é o cultivo de terra realizado por pequenos proprietários rurais tendo como base a mão de obra essencialmente no núcleo familiar, as ações vão desde:

 ARAÇÃO DE TERRA E DISTRIBUIÇÃO DE SEMENTES :Em parceria com o IPA  são cedidas 500 horas de maquina para a aração de terra e depois distribuídas as sementes para que os agricultores possam plantar as lavouras de milho e feijão.

 PROGRAMA DE AQUISIÇÃO DE TERRA: feito em parceria com o sindicato dos trabalhadores rurais de Taquaritinga do Norte onde no Brasil a estrutura fundiária compreende que 1% dos proprietários detém 50% das terras, portanto num país de latifúndios esse programa do governo vem mudando essa realidade pelo menos em Taquaritinga onde através do credito fundiário 63 famílias já foram assentadas gratuitamente.

PROGRAMA FOME ZERO ANIMAL: onde os agricultores tiveram a aquisição de ensiladeiras para a confecção de silos na técnica de armazenamento e forragem para o período de estiagem.

PROGRAMA DE BARRAGEM PARA O CAMPO: em parceria com o  (SARA),a administração de Evilasio e lero conseguiu em 2011, 700 horas de maquina onde foram construídas 17 barragens além de barreiros e para 2012,foram disponibilizadas mais 1200 horas de máquinas nas quais 1000 horas já foram utilizadas na construção de mais 22 barragens totalizando assim 39 barragens para a população rural.

PROGRAMA DE MERENDA ESCOLAR: o prefeito evilasio tem dado através da secretaria de agricultura e pecuária a assistência técnica desde 2011 para o programa de fornecimento da merenda escolar através do PENAE onde os agricultores da cidade fazem o fornecimento de carne de galinha. Bode, boi, além de hortaliças, bananas, e com o reconhecimento da boa qualidade do alimento o programa foi ampliado em 2012 para quase o dobro.

APOIO AO CAFÉ ORGANICO: o governo municipal através da secretaria de agricultura e de parcerias vem fortalecendo e valorizando o café orgânico do município na região e em todo o Brasil.

QUALIFICAÇÃO DO HOMEM DO CAMPO: em parceria com o SENAR(serviço nacional de ensino rural),tem sido aplicado vários cursos com certificado de: TRATORISTA, APICULTURA, CAPRINOCULTURA, SUINOCULTURA, ELETRICISTA, ENCANADOR, PINTOR, GALINHA CAIPIRA, DOMA RACIONAL DE CAVALO, CULINÁRIA RURAL, DERIVADOS DO LEITE, EMPREENDEDOR RURAL entre outros.

Como estamos vendo a população rural vem sendo bem assistida pela atual administração municipal, o êxodo rural que é a mudança de pessoas da zona rural para outras regiões de mais condições, pelo menos aqui em Taquaritinga não tem mais acontecido pois com todo o apoio e assistência técnica que tem recebido o homem do campo esta tendo a satisfação de viver onde realmente ele quer e gosta e nós que tanto dependemos e reconhecemos a sua importancia, falamos como uma musica de grande sucesso dos irmãos Dom e Ravel “OBRIGADO AO HOMEM DO CAMPO”.   


   
                                                            

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

O Amor Secreto




A noite começava; o bacurau expunha sua cor e pulava de canto a canto da vereda. As caiporas assobiavam e as muriçocas soltavam suas zoadas. A esta altura, os galos de campina já pernoitavam nos galhos de avelós e sonhavam com o clarear do novo dia mais alegre, ou seja, com um roçado cheio de covas de milho, sem a presença de um menino para bater lata e espantá-lo. É que o malvado galo de campina e o xexéu não deixam uma cova de milho em paz. Eles com seus bicos afiados arrancam uma a uma para comer o milho ou o feijão plantado. No entanto, estão perdoados, pois só o canto do galo de campina encanta a vida. Sem o galo de campina o nordeste seria uma Roma sem o Coliseu, o Rio de Janeiro, sem o Pão de Açúcar e o Maracanã, ou seja, não tinham tanta beleza. Ou ainda o Piauí sem o Rio Parnaíba.
Os papagaios, que voavam de um lugar para outro, indo e voltando das serras e dos serrotes da fazenda de seu Agnelo Pedrosa. Ao anoitecer e ao amanhecer as aves verdes e falantes passavam voando e cantando por Serra dos Bois, inquietando o juízo do menino que gostaria de saber onde ficava a casa dos papagaios. Parecia que eles moravam no Bandeira, ou no serrote de Mãe Zita, onde juntamente com os mocós davam um ar alegre àquele lugar.
Assim ia-se levando a vida. Bastando para tanto um café bem forte, um cigarro de palha ou cachimbo para se tirar um trago. Quando o fim de semana chegava corria-se para o Jerimum, pois lá era certo que tinha um forró.
De forró em forró Theobaldo Farias encontrou sentido para sua vida pacata que levava nos campos de Serra dos Bois. Certa vez, quando chegava ao Jerimum Theobaldo, com seu sexto sentido, logo pensou e falou para seu amigo Leôncio Matoso:
- Hoje, Leôncio, eu arrumo uma namorada.
Passava o jovem Theobaldo Farias e o solteirão Leôncio Matoso, pela casa de seu Raimundo Gomes, no sentido de Serra dos Bois ao Jerimum. E Leôncio Matoso, com seus 50 anos, solteiro e virgem que nunca namorou, começou a rir. E só quando passavam perto da casa de seu Aniceto é que Theobaldo Farias se irritou e respondeu ao seu estilo.
- Por que você rir de mim, se nunca arrumou uma namorada?
Leôncio Matoso, que não tolerava perguntas relativas à sua vida  íntima não gostou e partiu para o ataque:
- Isso não é de sua conta. Eu não arrumei namorada alguma porque não quis e isso é uma questão que diz respeito somente a minha pessoa e você não se meta aonde não foi chamado.
Prosseguiu o solteirão.
- Não arrumei namorada, na opinião do povo mau falador de Serra dos Bois e de Gravatá do Ibiapina. Gravatá do Ibiapina, porque todo mundo de Serra dos Bois tem origem em Gravatá. Só que ninguém sabe que eu amei e amarei para sempre o único amor de minha vida. Só eu e ela é que sabemos da existência de nosso amor secreto.

Os dois amigos chegaram à vila do Jerimum e na bodega de Ismael de João Nogaia Leôncio Matoso terminou de contar sobre seu amor, após uma boa dose de conhaque.

- É que seu pai de minha amada era homem rico e importante da região não permitiria que ela se casasse comigo, um pobre e com a calça rasgada. E para não fazê-la sofrer fizemos um pacto: nós nos amaríamos para sempre, pois para se amar não é preciso se casar ou se viver juntos. O verdadeiro amor é àquele que nos alimenta, nos completa e nos deixa viver sem mágoas ou rancores. A vida não comporta os que não compreendem o que é amar.

Emocionado Theobaldo Farias voltou para casa, não foi mais ao forró e procurou viver como um ermitão, só que se esqueceu de que para amar é preciso ter um amor, mesmo secreto como o amor de Leôncio Matoso.
Por: Antônio Martins de farias



sexta-feira, 27 de julho de 2012

As Festas Juninas de Serra dos Bois











As Festas Juninas de Serra dos Bois
 Festas, balões, fogos de artifícios, pamonha, canjica e milho verde são os ingredientes para o mês de junho inteiro. Falta só batata doce, que agora incluo. Na noite de Santo Antônio a festa era animada. Uma novena na casa de Hermes, outra na casa de Otávio davam o tom da alegria. Após a novena o café com pamonha era sagrado.
Sobre a mesa ficava os pratos de canjica, com pitadas de canela em pó adormecidas. Quando amanhecia o dia olhava-se para as cinzas da fogueira e corria-se para comer um prato do delicioso prato. Após alguns minutos saíamos à procura dos restos de fogos para se aproveitar o barbante com o qual se fazia arapucas.
Geralmente tinha gente de fora e papai conversando a vontade na sala e de vez em quando uma xícara de café para os convidados. Às crianças sobrava esbregue, carão e beliscão, pois sempre estavam erradas. Criança não podia falar e nem manifestar qualquer opinião, mesmo detentora de razão.
Chegavam Geraldo de Zita e o povo do Papagaio; a família de Aleixo Joaquim também marcava presença. Seu João Cazé e seu Tezinho, de Cacimba de Baixo, que não de bicavam, geralmente só apareciam dia de São João.
Seu João Casé só comia farofa e ovo cozido, mas não dispensava umas espigas de milho assado e seu Tezinho só comia caldo de feijão com farinha.
Para a festa de São Pedro, de vez em quando, tínhamos a presença da família de tio Lindolfo, de Frei Miguelinho, para completar a alegria. Uma vez ou outra, se matava um bode e comia-se a uma deliciosa buchada.
A hora do almoço era um momento sublime: meu pai, à cabeceira da mesa, convidava um por um a se sentar e comer pirão e beber uma aguardente Serra Grande, a de casco branco. Só servia de fosse Serra Grande de casco branco. A conversa seguia sobre vários assuntos, mas acabava sempre sobre São João do Cariri. Era que para Hermes Ludugero de Farias qualquer coisa só era boa e verdadeira se fosse de São João do Cariri.
E assim, de lembrança em lembrança vai se formatando na mente as festas juninas de Serra dos Bois que eram maravilhosas.

Antonio Martins de Farias

quarta-feira, 25 de julho de 2012

AASB em ação


                 
                           
                                   


 Em busca de melhorias para nossa comunidade, estivemos recentemente na cede do instituto agronômico de Pernambuco IPA em Recife, numa audiência com o diretor presidente do órgão, doutor Júlio Zoé de Brito, a associação esteve representada pelo presidente Geraldo Filho, o tesoureiro Jorge Gonçalves, os sócios Roberto Pontes e Renato júnior, além de  João Paulo representando a secretaria de agricultura e Zeca Coelho secretario de apoio e articulação do município. Uma iniciativa importante por parte da associação com apoio da prefeitura, que busca  alternativas diretamente na fonte onde os recursos são gerenciados. Foi um encontro bastante positivo, onde mostramos os problemas causados pela estiagem prolongada e discutimos soluções para os mesmos, o doutor Júlio, se comprometeu em levar os ofícios encaminhados pela associação ao comitê gestor da seca,  que se reúne semanalmente para discutir onde os recursos serão aplicados. Iniciativas desse tipo precisam ser desenvolvidas constantemente, mesmo que os resultados só venham á longo prazo, destacou Geraldo Filho.    

terça-feira, 10 de julho de 2012

O Bode Pajeú




Um morador de Serra dos Bois gostava de novidades e certa vez resolveu criar cabras raçadas, cabras de orelhas grandes. Na inauguração do grupo escolar do Riacho Doce, ele pediu um bode emprestado ao senhor Frascisquinho Heráclito, sendo prontamente atendido.
  Na sexta-feira seguinte o tomador do bode emprestado foi ao Gravatá do Ibiapina e trouxe o caprino para Serra dos Bois. Logo constituiu Theobaldo como depositário fiel do tal bode. À noite, cansado da viagem que fizera, de aproximadamente, três léguas, ou dezoito quilômetros, o animal não quis saber das cabras, no chiqueiro. Não se ouviu um só bodejar do animal à noite. As cabras logo desconfiaram do novo marido.
Mochinha, uma cabra preta, que fora emprestada por João Joaquim para criar Theobaldo, já era uma cabra velha; uma coroa cabra, ou uma cabra coroa. Tenha naquela época uns 15 anos, mas ainda dava seus pulinhos, mesmo não sendo milho de pipoca.
O bode era bonito; de cor variada. Era um bode lavrado, cheio de cores brancas e vermelhas, parecia que imitava as camisas do Bolinha, àquele que animava programas de auditórios, nas décadas de 70 e 80, do século passado.
No rebanho tinha cabras de todas as cores e tipos e umas jeitosas; outras muito feias. Mesmo assim Pajeú, o bode, foi logo dando conta do recado. Marreca, uma cabra de cor roxa, era uma cabra muito jeitosa; de origem paraibana, muito boa de leite. Ela fora emprestada por Silva Borges para criar a irmã mais nova de Theobaldo. Pajeú logo se aproximou dela e em poucas horas já namoravam. Marreca foi logo dizendo às amigas que Pajeú era gostoso e cheio de charme. Isso criou um clima de ciúmes e muitas brigas; só ouvia chifre com chifre. Mochinha, a mais velha entrou na briga para separar as brigonas. Deu um berro e foi logo dizendo:
-Minhas amigas cabras, Pajeú não é de nenhuma de nós. Ele é de todas ao mesmo tempo. É como o galo que é marido de todas as galinhas e só canta no poleiro quando não tem raposa por perto. Quando a raposa chega ele é o primeiro a correr. Assim é Pajeú.  Eu sou a mais velha e já tive muitos bodes na vida. Teve Mirinó, que era um rapaz alegre e só queria saber dos cabritos e fiquei na pior. Quem me salvou foi o bode de Arnóbio.
 As cabras de acalmaram. Cabeluda que era uma cabra muito boa de leite e experiente foi a única que não teve problemas com Pajeú e manteve a linha. Afinal, era uma cabra elegante, firme e até sabia andar de pata alta, para não dizer sapatos. Cabeluda era tão boa que sabia andar de pata alta. Os bodes não tinham problemas com ela.
Passado alguns meses e nada de nascer cabrito de orelhas grandes. Só nascia cabrito com as orelhas pequenas. Assim se ficou sabendo que Pajeú não emprenhava as cabras, mas sim um bode preto de Arnóbio. Com raiva, Após isso Pajeú foi devolvido ao Cicero, antigo vaqueiro de seu Frascisquinho Heráclito. E nunca mais viu as cabras de Serra dos Bois. Deve ter sentido muita saudade, pois quando ele foi embora prometeu que voltava e nunca mais voltou.

Por: Antonio Martins de farias.






sexta-feira, 6 de julho de 2012

Um ano de saudades





Velho Geraldo meu pai
Meu peito é cova de dor
A gente não combinou
Poema de despedida,
Essa coisa tão doída
Carregada de tristeza
Minha rima está presa
Entalada na goela
Hoje sinto banguela
A boca da alegria,
Apeou da montaria
Amarrou o seu cavalo
O corpo cheio de calos
Calos de sabedoria
Todo mundo vai um dia
Quando chega sua hora
Meu pai foi embora
Deixando a casa vazia
Dona Zita bem queria
Envelhecer do teu lado
E não te ver sepultado
Numa cova de cimento
Que toma de sentimento
O peito dos filhos teus
a saudade é como faca,
furando nos olhos meus
Descansa na paz de Deus
Meu velho Geraldo pacas !!!



Geraldo Filho.