sexta-feira, 25 de setembro de 2015

A Colonização da Nossa Região – Serra dos Bois e adjacências.



                          

Os habitantes nativos da nossa região pertenciam ao Grupo Linguístico Cariri, comunidades de índios (os índios Carniió). Cultivava mandioca, milho, feijão, algodão e praticavam a caça e pesca, a terra era a razão de existência dessas comunidades.
A colonização em nossa região começou no século XVII com os Bandeirantes para constituição das fazendas de gado, que exterminaram as Nações Indígenas. Assim as terras foram ocupadas pelos europeus estabelecendo as fazendas que destinavam-se à criação de gado bovino, equino, caprino, ovino, burros, jumentos e plantio de algodão, milho, feijão, jerimum e melancia.
Com o cruzamento de brancos e índios surgiram os caboclos, que se tornaram os vaqueiros, que pela sua bravura e veste de couro consegue dominar o gado, o solo pedregoso e a vegetação espinhosa da região.
Para Moreira, (1997) o boi que originalmente havia se fixado nas terras litorâneas, apoiando as atividades do engenho, vai sendo levado para o interior sempre seguindo o curso dos rios, formando os chamados caminhos do gado, originando os currais, as feiras de gado e em consequência, o aparecimento dos povoados e vilas que foram tornando-se cidades.

“A importância do gado nessa região foi tão grande que se fala até mesmo em uma civilização do couro. Além de fonte de renda monetária e de meio de subsistência alimentar (
carne/leite), o gado fornecia matéria-prima (couro) para uma série de bens utilizados pelo
sertanejo: vestuário, calçado, arreio e utensílios domésticos os mais variados (bancos, camas,
portas, etc.).” (Ibid., 1997, p. 73).

Os fazendeiros e vaqueiros, desta época, tiveram que enfrentar vários obstáculos, escassez da água, vegetação espinhosa, cobras venenosas, morcegos vampiros e as flechas certeiras dos índios.
“A vida isolada e solitária das fazendas, com pouca mão de obra e grandes áreas de pastoreio, foi um dos principais elementos para composição de uma sociedade semi-fechada e rústica, onde o trabalho tomava conta dos dias. Ferrar os bezerros, curar as bicheiras dos animais doentes, matar onças e cobras, abrir bebedouros e conduzir os rebanhos pelas caatingas foram forjando o homem sertanejo, numa mistura de nativos e colonos do além mar. Distantes do litoral, vão sendo absorvidos pelo lugar e criando novos valores culturais, embebidos de mitos e imaginação, mistura do religioso com o supersticioso. Assim, dos beatos ao malassombro das casas abandonadas, vão surgindo os curadores de bicheiras, as rezadeiras e muitas histórias propagadas pela literatura de cordel, também rústica, tanto na arte gráfica, quanto no rebuscar do português falado na região. Um misto da língua bugre (indígena) com o português não acadêmico que muitos colonizadores portugueses falavam. Um homem circundado por uma natureza mística, assumindo naturais superstições que são típicas de uma ingênua filosofia”. (Belarmino, 1999).

Por: Renato Lucena

Professor.

domingo, 16 de agosto de 2015

Memórias

Cangaceiro Antônio Silvino, setenta e um anos de sua morte em 28 de Julho de 1944.
Manoel Baptista de Moraes era seu nome verdadeiro. Adotando o cangaço como modo de vida, a fim de vingar o assassinato de seu pai, o pacato sertanejo tornou-se “Antônio Silvino”, o mais famoso cangaceiro antes do aparecimento de Lampião. Sua vida errante começa em fins de 1899 e se estende até a sua prisão, em novembro de 1914.

Memórias da nossa terra





Banda-Musical-D.-Luiz-de-Brito-em-1992,-no-povoado-de-Serra-dos-Bois,-Taquaritinga


Banda-Musical-D.-Luiz-de-Brito-em-1992,-no-povoado-de-Serra-dos-Bois,-Taquaritinga

segunda-feira, 20 de julho de 2015

Parceria com responsabilidade


                                              

No último sábado dia 19 a comunidade de Serra dos Bois recebeu a visita do secretário de agricultura do município Júlio Cezar Pontes, onde foi recebido por um grupo de agricultores, o encontro foi bastante proveitoso, uma vês que vários assuntos pertinentes a secretaria foram abordados, a exemplo da agricultura familiar, cuidados com o meio ambiente e assistência técnica ao homem do campo. ‘’O secretário é um dos mais atuantes do governo municipal e não mede esforços quando se trata de apoiar os agricultores quando é solicitado, seja sábado, Domingo ou feriado, ele está sempre a disposição mostrando compromisso com sua secretaria, com o município e principalmente com os agricultores! Pontuou, o agricultor Geraldinho” que destacou a importância do encontro que é um exemplo a ser seguido.

terça-feira, 23 de junho de 2015

Festa de São Pedro





                                  
A comunidade de Serra dos Bois, convida todos a participarem da festa do padroeiro São Pedro que acontecerá de 26 a 29 de junho, todas as noites haverá celebração da santa missa depois bingo, leilão e quermesse. E no sábado dia 4 de julho acontece a festa social com chegada de lenha a partir da 14 horas e a noite shows com Socorro e Mazé e depois, é a vez do prata da casa, Netinho do acordeom e banda forró dos inocentes fechando com chave de ouro, não percam. 



quinta-feira, 18 de junho de 2015

O Guerreiro Com Sua Espada


Seu Amaro Inácio e dona Antonia. Um casal que por muitos anos morou em Serra dos Bois, Taquaritinga do Norte, PE. Na verdade, morava nas Lages, propriedade de tio Manoel Ludugero. Depois eles se mudaram para o Riacho Doce, onde seus filhos foram criados. Infelizmente, seu Amaro Inácio já se foi para a vida eterna.
De sua família pouco ou quase nada sei. Embora com ele tivesse uma convivência duradoura e muito proveitosa que até, hoje, guardo como patrimônio de minhas saudades e o agradeço pelo enorme saber que  me passou.
Seu Amaro Inácio era um caçador e por isso nos aproximamos dele. Havia outra razão: Ele era muito amigo de meu pai, e muitas vezes, à noite, ou pela madrugada nos acordava para contar suas aventuras e tomar um café, proporcionando um bate papo alegre que levara ao amanhecer do dia, sem que a gente percebesse. Ele tinha um jeito todo especial de contar belos casos. Não se sabe como ele aprendeu a dosar as palavras, aumentar ou diminuir o som e sabia com maestria estabelecer o clímax ou o final de cada estória.
Seu Amaro Inácio vivia no mato, nas matas caçando e conversando com os espíritos. Provavelmente nunca foi a uma cidade maior do que Gravatá do Ibiapina. Ele amava o campo, a roça, a natureza, enfim.
Sua cachorra era esperta e muito caçadeira. Tio Euclides Borges, eu e meu irmão formamos uma espécie de parceria com ele, e passamos muitas noites na manga (fazenda) de seu Agnelo Pedrosa, caçando tatu, tamanduá e outros bichos. (Antes que me critiquem, devo dizer que acho, hoje, isso tudo politicamente incorreto, pois defendo a preservação da natureza), embora ache que o homem, na sua essência, deve ser defendido e protegido como os animais o são, nos dia de hoje. E nós caçávamos por uma questão de sobrevivência, quando nos faltava alimentos.
Ora, a natureza fez os animais e para eles deixou seus predadores. Só que, nós animais racionais, não tínhamos predadores, até a descoberta do acúmulo de bens. Após a invenção da riqueza encontramos um predador para o ser humano – o ser humano.
Aliás, seu Amaro Inácio carregava uma espada e a situação precária por que passa o Brasil, só redescobrindo o poder do guerreiro, com sua espada para dar um jeito no Brasil.

Antonio Martins de Farias

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Santa Quitéria e Meus Dois Mil Rés



Imagem ilustrativa:

Nunca fui chegado às aventuras, entretanto assumo que tinha uma tendência a desafios, ou gostava mesmo de sofrer. Por que?  Porque acompanhava meu pai pelo mundo a fora, em busca de novidades. Era minha fascinação e loucura. Não me conformava apenas ouvi-lo contar os casos. Gostava de presenciar, sentir, ouvir e curtir in loco os fatos e as estórias dos mais velhos e dos mais sábios.
Quando percebia que meu pai estava se arrumando pra viajar, eu ficava por perto dele. De modo que ele pudesse ler meu pensamento e perguntasse se ei queria acompanhá-lo. Quando isso acontecia à resposta era positiva. E lá ia eu perguntar à mamãe se poderia ir. Ela, geralmente, dizia que era muito arriscado, mas não se opunha a tal ideia. Desta forma corria para trocar de roupa e dar início à viagem.
Meu pai, Hermes Ludugero de Farias, gostava de passear além da conta. Em uma dessas andanças fomos parar em São João do Cariri, especificamente no sítio Gravatá Mor. Depois fui ao Uruçu, terra de Alfredo Gaudêncio e Zé Agripino.
Deste modo, saímos de Serra dos Bois a cavalo. Passamos pela Cachoeira de seu Ismael. À noite, dormimos na fazenda Carro Quebrado, cuja propriedade era do sogro de Aleixo Joaquim. De manhã, bem sedo, partimos ao destino final de nossa viagem – a casa de meu avô, Ananias Idelfonso de Queiroz.
Ao nos aproximamos nos defrontávamos com um grande descampado e algumas casas. A primeira meu pai me explicou:
 - “Tonho esta casa era de tio Antonio da Costa; aquela à esquerda, de cor amarela, é de Antero, marido de Ana. Esta a nossa direita é de Seviliano e aquela de taipa é Alice, casada com Manoel Marcolino. Outra bem longe é de Ana de tio Esmerino.”.
Logo em frente, beirando um grande riacho,que parecia mais um rio, me defrontei com outra residência: uma casa feita de tijolo e cal, que chamamos de caliça. Ela pertencia  ao tio Laurindo, irmão de meu avô.
Logo à esquerda a gente começava a sentir o inebriante cheiro da flor de mofumbo. O ar, no momento de nossa chegada, era composto por um vento frio e gostoso. Além de uma temperatura amena. O Céu estava azul e com poucas nuvens. Aquelas nuvens que pareciam um véu de noiva ou da cor da roupa de primeira comunhão.
Aos poucos fui percebendo que estava perto da chegada, pois o cavalo começou a reconhecer o caminho, quando não precisava mais de ser guiado.
A primeira vista, depois de um pequeno riacho, foi à direita um grande pé de baraúna e à frente uma casa grande. Tal casa foi feita em duas  partes: uma de tijolo e outra de taipa. Meu pai foi logo me dizendo:
- Chegamos meu filho. Esta é a casa de Madrinha Ana e Padrinho Mateus.
Madrinha Ana e padrinho Mateus eram seus avós. Paramos na porta da frente e fomos recebidos por tio Chico. Tio Chico, era solteiro. Só teve uma namorada que por capricho do destino não deu em casamento. Contam que certo dia ele levava um presente para a amada,mas o cavalo tropeçou, caiu e o presente se quebrou. A namorada com raiva terminou o namoro e nunca mais meu tio arrumou outro amor. Morreu solteiro não deixou herdeiro nem bens deste mundo.
Para chegarmos à casa do meu avô, a gente subia uma ladeira, pequena, mas subia. A casa era de tijolo. Contava com uma sala, dois quartos, duas portas e janelas. Completava-a uma sala de jantar. A cozinha e um pequeno quarto de despejo.
O revezo, um cercadinho, formava uma espécie de chácara. Ali se podia ver um pé de limão galego; um de pimenta malagueta e muito avelóz. Dois barreiros e um tanque. À frente da casa a gente via um curral com mourão, sinalizando que um dia teve gado. Só a lembrança, ficou.
Partimos para o Uruçu. Fomos direto à fazenda de Alfredo Gaudêncio. Recebidos pelo seu dono, que estava numa rede e nela permaneceu. Só  se levantando na hora do almoço, quando a casa se encheu de gente. Tinha vaqueiro, amigos, trabalhadores de todo lugar, até caixeiro viajante apareceu.
Papai foi lá agradecer o favor que a família Gaudêncio prestara ao meu avô, quando ele sofrera um AVC, e levado para Serra dos Bois, de ambulância. Era uma questão de cortesia e elegância agradecer tal feito.
Após o almoço, entramos num deserto, pois não era  caminho, não era estrada nem vereda. Apenas mato. Só que de repente chegamos à casa de tia Lia. Ela quando viu meu pai, deu-lhe uma surra de carinho. Ela o batia com palmadas carinhosas e meu pai a respeitava e sorria. Um momento de muita felicidade. Embora ela já se encontrasse muito doente.
Dormimos no Uruçu. No dia seguinte retornamos para o sítio Gravatá Mor, quando conheci tio Laurindo, irmão de meu avô. Ao ser apresentado tomei-lhe à bênção. Tio Laurindo fez uma festa. Cutucou e brincou com meu pai, do  mesmo jeito que tia Lia praticara no dia anterior.
Convidou-nos para entrar. Aí ele foi ao quarto e ao voltar deu-me de presente. Uma  moeda. Moeda esta que a chamei de meus dois mil rés. Após os agradecimentos, achei por bem pedir que meu pai a guardasse, afinal era em meu pai que depositava toda confiança. Prontamente papai guardou minha riqueza.
Eu sonhava com aquela moeda poder ir a Gravatá do Ibiapina e comprar caramelo ou cocada, na banca de Antonio Paca, no mercado publico todas às sextas-feiras. Muito enganado estive.
Após uma boa conversa e um café partimos para São Domingos do Cariri. Meu pai, no entanto, pediu desculpas por ter que seguir outro destino ou rumo. Precisava passar  ma casa de seu Ananias Marcos, no Carro Quebrado. Ao chegarmos à fazenda Carro Quebrado arriamos e mais café nos foi servido e depois de outro longo assunto, partimos definitivamente para São Domingos do Cariri. Estranhei o um caminho que tomamos, mas como criança não podia opinar. Pus-me calado até o sítio Curralinho.
O desvio de rota não me assustava. Não era tão grande assim. O que importava era voltar à Serra dos Bois e sedo ou mais tarde a gente seguia o rumo certo.
Chegamos a uma casa grande, estilo chalé. Meio de taipa e meio de tijolo. Umas senhoras nos receberam e em seguida sumiram. Não sei para onde. Como a casa era muito grande não saber aonde as senhoras se esconderam.
Desmontamos, amarramos os cavalos e seu Ananias Marcos entrou, numa grande sala à esquerda da sala principal,  abriu uma gaveta enfiou um maço de dinheiro. Em seguida pegou a imagem de Santa Quitéria e a beijou. Meu pai acompanhou.
Para não fazer feio, meu pai, sem minha autorização, sacou meus dois mil rés, que tio Laurindo me dera há poucas horas e depositou-os na gaveta de Santa Quitéria.
La se foi o sonho de comprar cocada por água abaixo. Que raiva me invadiu. Quase não perdoava Santa Quitéria. Mas que culpa teve Santa Quitéria se foi meu pai que deu o dinheiro que era meu?
Aqui presto uma homenagem à Santa Quitéria e lembro-me de um dos muitos momentos que vivi na companhia de meu pai.,
Antonio Martins de Farias é Advogado e norte taquaritinguense.