domingo, 16 de agosto de 2015

Memórias

Cangaceiro Antônio Silvino, setenta e um anos de sua morte em 28 de Julho de 1944.
Manoel Baptista de Moraes era seu nome verdadeiro. Adotando o cangaço como modo de vida, a fim de vingar o assassinato de seu pai, o pacato sertanejo tornou-se “Antônio Silvino”, o mais famoso cangaceiro antes do aparecimento de Lampião. Sua vida errante começa em fins de 1899 e se estende até a sua prisão, em novembro de 1914.

Memórias da nossa terra





Banda-Musical-D.-Luiz-de-Brito-em-1992,-no-povoado-de-Serra-dos-Bois,-Taquaritinga


Banda-Musical-D.-Luiz-de-Brito-em-1992,-no-povoado-de-Serra-dos-Bois,-Taquaritinga

segunda-feira, 20 de julho de 2015

Parceria com responsabilidade


                                              

No último sábado dia 19 a comunidade de Serra dos Bois recebeu a visita do secretário de agricultura do município Júlio Cezar Pontes, onde foi recebido por um grupo de agricultores, o encontro foi bastante proveitoso, uma vês que vários assuntos pertinentes a secretaria foram abordados, a exemplo da agricultura familiar, cuidados com o meio ambiente e assistência técnica ao homem do campo. ‘’O secretário é um dos mais atuantes do governo municipal e não mede esforços quando se trata de apoiar os agricultores quando é solicitado, seja sábado, Domingo ou feriado, ele está sempre a disposição mostrando compromisso com sua secretaria, com o município e principalmente com os agricultores! Pontuou, o agricultor Geraldinho” que destacou a importância do encontro que é um exemplo a ser seguido.

terça-feira, 23 de junho de 2015

Festa de São Pedro





                                  
A comunidade de Serra dos Bois, convida todos a participarem da festa do padroeiro São Pedro que acontecerá de 26 a 29 de junho, todas as noites haverá celebração da santa missa depois bingo, leilão e quermesse. E no sábado dia 4 de julho acontece a festa social com chegada de lenha a partir da 14 horas e a noite shows com Socorro e Mazé e depois, é a vez do prata da casa, Netinho do acordeom e banda forró dos inocentes fechando com chave de ouro, não percam. 



quinta-feira, 18 de junho de 2015

O Guerreiro Com Sua Espada


Seu Amaro Inácio e dona Antonia. Um casal que por muitos anos morou em Serra dos Bois, Taquaritinga do Norte, PE. Na verdade, morava nas Lages, propriedade de tio Manoel Ludugero. Depois eles se mudaram para o Riacho Doce, onde seus filhos foram criados. Infelizmente, seu Amaro Inácio já se foi para a vida eterna.
De sua família pouco ou quase nada sei. Embora com ele tivesse uma convivência duradoura e muito proveitosa que até, hoje, guardo como patrimônio de minhas saudades e o agradeço pelo enorme saber que  me passou.
Seu Amaro Inácio era um caçador e por isso nos aproximamos dele. Havia outra razão: Ele era muito amigo de meu pai, e muitas vezes, à noite, ou pela madrugada nos acordava para contar suas aventuras e tomar um café, proporcionando um bate papo alegre que levara ao amanhecer do dia, sem que a gente percebesse. Ele tinha um jeito todo especial de contar belos casos. Não se sabe como ele aprendeu a dosar as palavras, aumentar ou diminuir o som e sabia com maestria estabelecer o clímax ou o final de cada estória.
Seu Amaro Inácio vivia no mato, nas matas caçando e conversando com os espíritos. Provavelmente nunca foi a uma cidade maior do que Gravatá do Ibiapina. Ele amava o campo, a roça, a natureza, enfim.
Sua cachorra era esperta e muito caçadeira. Tio Euclides Borges, eu e meu irmão formamos uma espécie de parceria com ele, e passamos muitas noites na manga (fazenda) de seu Agnelo Pedrosa, caçando tatu, tamanduá e outros bichos. (Antes que me critiquem, devo dizer que acho, hoje, isso tudo politicamente incorreto, pois defendo a preservação da natureza), embora ache que o homem, na sua essência, deve ser defendido e protegido como os animais o são, nos dia de hoje. E nós caçávamos por uma questão de sobrevivência, quando nos faltava alimentos.
Ora, a natureza fez os animais e para eles deixou seus predadores. Só que, nós animais racionais, não tínhamos predadores, até a descoberta do acúmulo de bens. Após a invenção da riqueza encontramos um predador para o ser humano – o ser humano.
Aliás, seu Amaro Inácio carregava uma espada e a situação precária por que passa o Brasil, só redescobrindo o poder do guerreiro, com sua espada para dar um jeito no Brasil.

Antonio Martins de Farias

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Santa Quitéria e Meus Dois Mil Rés



Imagem ilustrativa:

Nunca fui chegado às aventuras, entretanto assumo que tinha uma tendência a desafios, ou gostava mesmo de sofrer. Por que?  Porque acompanhava meu pai pelo mundo a fora, em busca de novidades. Era minha fascinação e loucura. Não me conformava apenas ouvi-lo contar os casos. Gostava de presenciar, sentir, ouvir e curtir in loco os fatos e as estórias dos mais velhos e dos mais sábios.
Quando percebia que meu pai estava se arrumando pra viajar, eu ficava por perto dele. De modo que ele pudesse ler meu pensamento e perguntasse se ei queria acompanhá-lo. Quando isso acontecia à resposta era positiva. E lá ia eu perguntar à mamãe se poderia ir. Ela, geralmente, dizia que era muito arriscado, mas não se opunha a tal ideia. Desta forma corria para trocar de roupa e dar início à viagem.
Meu pai, Hermes Ludugero de Farias, gostava de passear além da conta. Em uma dessas andanças fomos parar em São João do Cariri, especificamente no sítio Gravatá Mor. Depois fui ao Uruçu, terra de Alfredo Gaudêncio e Zé Agripino.
Deste modo, saímos de Serra dos Bois a cavalo. Passamos pela Cachoeira de seu Ismael. À noite, dormimos na fazenda Carro Quebrado, cuja propriedade era do sogro de Aleixo Joaquim. De manhã, bem sedo, partimos ao destino final de nossa viagem – a casa de meu avô, Ananias Idelfonso de Queiroz.
Ao nos aproximamos nos defrontávamos com um grande descampado e algumas casas. A primeira meu pai me explicou:
 - “Tonho esta casa era de tio Antonio da Costa; aquela à esquerda, de cor amarela, é de Antero, marido de Ana. Esta a nossa direita é de Seviliano e aquela de taipa é Alice, casada com Manoel Marcolino. Outra bem longe é de Ana de tio Esmerino.”.
Logo em frente, beirando um grande riacho,que parecia mais um rio, me defrontei com outra residência: uma casa feita de tijolo e cal, que chamamos de caliça. Ela pertencia  ao tio Laurindo, irmão de meu avô.
Logo à esquerda a gente começava a sentir o inebriante cheiro da flor de mofumbo. O ar, no momento de nossa chegada, era composto por um vento frio e gostoso. Além de uma temperatura amena. O Céu estava azul e com poucas nuvens. Aquelas nuvens que pareciam um véu de noiva ou da cor da roupa de primeira comunhão.
Aos poucos fui percebendo que estava perto da chegada, pois o cavalo começou a reconhecer o caminho, quando não precisava mais de ser guiado.
A primeira vista, depois de um pequeno riacho, foi à direita um grande pé de baraúna e à frente uma casa grande. Tal casa foi feita em duas  partes: uma de tijolo e outra de taipa. Meu pai foi logo me dizendo:
- Chegamos meu filho. Esta é a casa de Madrinha Ana e Padrinho Mateus.
Madrinha Ana e padrinho Mateus eram seus avós. Paramos na porta da frente e fomos recebidos por tio Chico. Tio Chico, era solteiro. Só teve uma namorada que por capricho do destino não deu em casamento. Contam que certo dia ele levava um presente para a amada,mas o cavalo tropeçou, caiu e o presente se quebrou. A namorada com raiva terminou o namoro e nunca mais meu tio arrumou outro amor. Morreu solteiro não deixou herdeiro nem bens deste mundo.
Para chegarmos à casa do meu avô, a gente subia uma ladeira, pequena, mas subia. A casa era de tijolo. Contava com uma sala, dois quartos, duas portas e janelas. Completava-a uma sala de jantar. A cozinha e um pequeno quarto de despejo.
O revezo, um cercadinho, formava uma espécie de chácara. Ali se podia ver um pé de limão galego; um de pimenta malagueta e muito avelóz. Dois barreiros e um tanque. À frente da casa a gente via um curral com mourão, sinalizando que um dia teve gado. Só a lembrança, ficou.
Partimos para o Uruçu. Fomos direto à fazenda de Alfredo Gaudêncio. Recebidos pelo seu dono, que estava numa rede e nela permaneceu. Só  se levantando na hora do almoço, quando a casa se encheu de gente. Tinha vaqueiro, amigos, trabalhadores de todo lugar, até caixeiro viajante apareceu.
Papai foi lá agradecer o favor que a família Gaudêncio prestara ao meu avô, quando ele sofrera um AVC, e levado para Serra dos Bois, de ambulância. Era uma questão de cortesia e elegância agradecer tal feito.
Após o almoço, entramos num deserto, pois não era  caminho, não era estrada nem vereda. Apenas mato. Só que de repente chegamos à casa de tia Lia. Ela quando viu meu pai, deu-lhe uma surra de carinho. Ela o batia com palmadas carinhosas e meu pai a respeitava e sorria. Um momento de muita felicidade. Embora ela já se encontrasse muito doente.
Dormimos no Uruçu. No dia seguinte retornamos para o sítio Gravatá Mor, quando conheci tio Laurindo, irmão de meu avô. Ao ser apresentado tomei-lhe à bênção. Tio Laurindo fez uma festa. Cutucou e brincou com meu pai, do  mesmo jeito que tia Lia praticara no dia anterior.
Convidou-nos para entrar. Aí ele foi ao quarto e ao voltar deu-me de presente. Uma  moeda. Moeda esta que a chamei de meus dois mil rés. Após os agradecimentos, achei por bem pedir que meu pai a guardasse, afinal era em meu pai que depositava toda confiança. Prontamente papai guardou minha riqueza.
Eu sonhava com aquela moeda poder ir a Gravatá do Ibiapina e comprar caramelo ou cocada, na banca de Antonio Paca, no mercado publico todas às sextas-feiras. Muito enganado estive.
Após uma boa conversa e um café partimos para São Domingos do Cariri. Meu pai, no entanto, pediu desculpas por ter que seguir outro destino ou rumo. Precisava passar  ma casa de seu Ananias Marcos, no Carro Quebrado. Ao chegarmos à fazenda Carro Quebrado arriamos e mais café nos foi servido e depois de outro longo assunto, partimos definitivamente para São Domingos do Cariri. Estranhei o um caminho que tomamos, mas como criança não podia opinar. Pus-me calado até o sítio Curralinho.
O desvio de rota não me assustava. Não era tão grande assim. O que importava era voltar à Serra dos Bois e sedo ou mais tarde a gente seguia o rumo certo.
Chegamos a uma casa grande, estilo chalé. Meio de taipa e meio de tijolo. Umas senhoras nos receberam e em seguida sumiram. Não sei para onde. Como a casa era muito grande não saber aonde as senhoras se esconderam.
Desmontamos, amarramos os cavalos e seu Ananias Marcos entrou, numa grande sala à esquerda da sala principal,  abriu uma gaveta enfiou um maço de dinheiro. Em seguida pegou a imagem de Santa Quitéria e a beijou. Meu pai acompanhou.
Para não fazer feio, meu pai, sem minha autorização, sacou meus dois mil rés, que tio Laurindo me dera há poucas horas e depositou-os na gaveta de Santa Quitéria.
La se foi o sonho de comprar cocada por água abaixo. Que raiva me invadiu. Quase não perdoava Santa Quitéria. Mas que culpa teve Santa Quitéria se foi meu pai que deu o dinheiro que era meu?
Aqui presto uma homenagem à Santa Quitéria e lembro-me de um dos muitos momentos que vivi na companhia de meu pai.,
Antonio Martins de Farias é Advogado e norte taquaritinguense.


quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

A Troca dos Cachorros e o Tamanduá.




Perto de Gravatá do Ibiapina existiu um cidadão chamado Amaro Traquino. Ele criava uma vaca, uma porca, uma ovelha, uma cachorra. De cada espécie de animal ele criava uma. Era uma miniatura da Arca de Noé.
Certa ocasião sua cachorra deu cria e meu pai comprou dois filhotes de cão. Ambos nasceram de cor preta. Ficava difícil de saber quem era quem. Um era a cara do outro. Um filhote destinava-se ao Tio Nestor e o outro para nós. Em Serra dos Bois poucas casas criavam cachorro. É que muita gente temia que tais animais matassem as ovelhas e as cabras para comer. Somente lá em casa, na casa de Arnóbio e na casa de tio Abidias tinha cão, cuja finalidade era espantar as raposas e os gaviões para não comerem as galinhas e seus filhotes.
Meu irmão, metido a esperto, trocou os balaios. O cãozinho que papai escolhera para nós, foi para o balaio determinado para tio Nestor. Com o passar tos tempos o cão de tio Nestor virou um cachorro esperto, caçador, latia muito: um verdadeiro guardião da fazenda.
O cão que ficou conosco não latia nem caçava. Só comia angu. Depois que descobriu uma cachorra da fazenda Açude Novo não parava em casa. O nome dele era Leão. Só fazendo jus a tal quando estava diante de um alguidar de angu.
Para acabar com as visitas à fazenda Açude Novo, foi preciso apelar ao seu João Cazé, velho tropeiro e contador de magníficas estórias e causos. Com a mesma faca que cortava fumo de rolo, pegou o cão e o castrou. Com o passar do tempo Leão já nem se lembrada da cachorra da fazenda de seu Oliveira.
Meu irmão e eu gostávamos de caçar. Só que não tínhamos cão nem gato, pois o bichano que tinha lá em casa era muito bem tratado por dona Emília e por causa disso não saia do pé do fogão.
Foi tio Euclides, um amigo e caçador, que nos introduziu no mundo da caça. Ele possuía os seguintes cães: Possi, Jacaré e Peixinho. Peixinho perdeu-se na primeira noite que caçamos juntos na fazenda de seu Oliveira, precisamente na Serra Lavrada. Possi e Jacaré morreram de velhos, porém caçando. Estes merecem uma estatua numa praça a ser construída nas Barrocas.
Levávamos nosso Leão à mata só para passar vergonha. Ele não servia nem para enganar às Caiporas. Enfurecido com nosso cão, tio Euclides propor-nos o seguinte: quando os meus cães acuarem um tamanduá nós o pegamos e jogamos em cima de Leão, só assim ele cria coragem. Acordo feito. Acordo cumprido. Numa noite Jacaré acuou tal bicho. Quando chegamos perto nos defrontamos com um grande tamanduá. Era na serra das Gogóias. Conforme combinado jogamos o tamanduá em cima de Leão. Ele gemeu, gemeu! E vendo que ia morrer, pegou o bicho, jogou para la para car. Em poucos minutos o tamanduá estava morto. A partir desta noite Leão passou a ser um cão caçador e morreu em virtude de uma bola dada não sei por quem, para quem não sabe, a bola, é uma isca com veneno. Moral da história, Todos podem mudar para melhor, mesmo através da dor e do sofrimento. E não devemos julgar precipitadamente.
Vale reconhecer que a cachorra de Abdon era natural do sítio Gavião de Frei Miguelhinho. E foi levado à fazenda Açude Novo por intermédio de meu tio Lindolfo Ludugero, como um presente de gratidão ao amigo Abdon Pereira da Silva, um dos maiores vaqueiros da região.

Antonio Martins de Farias é Advogado e norte taquaritinguense.