sexta-feira, 26 de julho de 2013

O Sítio Bandeira de Seu Miguel Severino




Não há uma versão oficial a respeito do sítio Bandeira, que tem uma parte pertencente ao município de Barra de São Miguel, PB, e outra à Taquaritinga do Norte, PE. Contava-nos uma história no sentido de que com a libertação dos escravos, pela Princesa Izabel, o Sr. Ludugero Aleixo da Cunha Porto, doou como recompensa, ao seu escravo Adelino, o terreno no qual se acha o sítio em questão. Não há nada oficial nesta afirmação. Assim também aconteceu com o sítio das Barrocas, que foi doado pelo mesmo senhor ao seu ex-escravo João Borges da Costa. Que com seu trabalho construiu tudo que conhecemos ou sabemos a respeito daquele sítio amado por todos nós.
Boa parte dos moradores do Bandeira é descendente do senhor Adelino, ex-escravo e de origem africana. Ele foi o patriarca de nossos conterrâneos bandeirasses. O Sr. Adelino Deixou os seguintes filhos: Felipe Adelino, Bernadino Adelino, pai de “Chá” e” Biroca”.  “Neco” Adelino, João Adelino, pai do sanfoneiro Cecílio, casado com Luzinete, filha de Maria Clara e Antonio de Sinésio.
Não se sabe o porquê do nome Bandeira. Talvez seja porque neste local existiu uma máquina de descaroçar algodão. Sendo o vendedor da máquina em questão conhecido como seu Bandeira, cuja origem era alagoana e muito conhecido na região, tenha influenciado tal nome. Àquela máquina também chamada de bolandeira foi muito importante na época que o algodão foi chamado de ouro branco do Nordeste.
O curioso é que povo do Bandeira tem uma cultura própria; uma forma de falar diferente. O falante no Bandeira emite uma sonoridade característica que só se ouve lá. Os moradores do Bandeira possuem uma forma especifica de se divertir; gostam muito de forró e de um bom bate papo. É um povo hospitaleiro e muito amigo.
É bom que se diga que no Bandeira existem outras famílias. Famílias que adquiriram suas propriedades e construíram suas vidas neste lugar acolhedor, mediante muito trabalho e dedicação. Assim, pode-se destacar: Seu Zé Macambira; seu “Do Santo Bernadino”; “Tura”; seu “Zuca”, pai de “Titi”; seu “Biu Quinca”; dona Joaninha Marreiros, mãe de Adelson e Antonio de Sinésio, além de Artur Baixinho entre outros.
Assim, podemos lembrar-nos da família Bernadino, cujo líder de nossos tempos foi Doda Bernadino, pessoa muito comunicativa, simpática e de excelente capacidade de liderar; tendo sido inclusive vereador de Barra de São Miguel.
No Bandeira também tem a família Severino, quando o patriarca foi o senhor Manoel Severino, que deixou os filhos Amaro Severino, Miguel Severino, Pedro Severino e Eufrásio Severino e dona Raimunda, esposa de seu “Zé Macambira”.  Seu Amaro Severino chegou a ser uma pessoa rica, para a região, tendo, inclusive, influência política. Porém, o que queremos nesta oportunidade é lembrar-se de Seu Miguel Severino Pereira. Pessoa muito importante e um pai de família exemplar. Seu “Migue Severino”, como era chamado nasceu e se criou no Bandeira, casando-se com dona Maria Anunciada de Jesus, cuja naturalidade é da cidade de Bom Jardim, no estado de Pernambuco. Dona Anunciada era filha de Jerônimo Tomás da Silva e Maria Filomena Alves. Acredita-se serem seus ancestrais também de Bom Jardim, PE. O casal Miguel Severino e Anunciada teve os seguintes filhos: Maria Materna, Angelita, Carmelita, Maria do Socorro, Vivina, Eliane, José, (Dudé que morou alguns anos no Rio de Janeiro, aonde fez muitos amigos e deixou saudades); Antonio Severino e Auristela. Vivina casou-se com Francisco Abdias da Cunha, de Serra dos Bois e mora no Rio de Janeiro, construindo uma família maravilhosa. A família de Vivina é composta por Fernando, Marcelo e Fred e as netas Brenda, Ana Bela, filhas de Marcelo; e Pedro, filho de Fernando.
O autor desta pequena pesquisa possui muitas lembranças sobre o Bandeira e seus habitantes. Não obstante, sobre seu Miguel Severino guarda poucas recordações, devido serem de gerações diferentes, porém tem uma admiração especial pelo senhor Miguel que sempre demonstrou ser uma pessoa muito educada; que possuía como caraterística um sorriso gostoso e muita educação e respeito pelas pessoas que conviviam com ele e sua família.
Seu Miguel Severino gostava de caçar e era considerado o maior matador de mocó na região, segundo informações passadas em segredo ao autor desta, que respeita a fonte. E, parecem verdadeiras tais informações, pois muitas noites, seu Miguel Severino passava por Serra dos Bois em direção à manga de seu Agnelo Pedrosa com o intuito de caçar. Às vezes, para esperar a lua nascer, ele acordava um vizinho e tomava um café, para depois de meia noite se embrenhar pela mata e concluir suas caçadas. O mais curioso é que sua volta nunca era percebida. Talvez para não mostrar quantos mocós pegou ou se voltava de bornal vazio, afinal temos o seguinte ditado: “Um dia é da caça e outro do caçador.”.
Outro morador ilustre do Bandeira foi seu Antonio de Sinésio. Não se sabe ao certo sua origem. O que se conhece é que ele foi marido de Maria Clara, filha de Pedro Lino e tia Clara, moradora de Serra dos Bois. A união de Maria Clara com Antonio de Sinésio gerou a “Família de Maria Clara”, ou seja, Luzinete, esposa de Cecílio de seu João Adelino, Maria Gorete, que mora em Recife; Reginaldo que já faleceu e morou no Bandeira e em Serra dos Bois; Pedro e Ivonete, esta moradora de Recife, tendo sido aluna de Silva Borges, nas Barrocas.
O casamento de Antonio de Sinésio e Maria Clara chegou ao fim. Antonio de Sinésio constitui união com Otília, de seu Zé Ramos, também de Serra dos Bois e teve muitos filhos.
Quando criança o autor desta pequena lembrança do Bandeira levou uma carreira de Antonio de Sinésio. Quando ele armava quixó ou mundéu para pegar gato maracajá ou até mesmo alguma raposa vadia. Criança, não sabe o que faz e achava bonito ver o desarme da pequena invenção. Acontece que um dia, seu Antonio de Sinésio se escondeu no mato e quando o Autor desta passava desamando os quixós gritou:
- Por que, você desarma os meus mundéus?
Aquela voz vinda e ouvida do mato e estrondosa foi o suficiente para uma boa carreira. Do Alto da Janela a sua casa. O pobre menino levou apenas cinco minutos. Chegou todo cheio de espinho e todo arranhado pelos galhos das juremas e macambiras.
Assim, de lembranças em lembranças vamos vivendo e recordando de pessoas que nos deixam saudade.
Escrever sobre o povo do Bandeira é de enorme responsabilidade, afinal tudo que se diga desse maravilhoso lugar e sua gente é pouco. Mesmo assim, vale a pena arriscar, pois quiçá que outro curioso tenha mais história para escrever a História do Bandeira que seu povo mereça.

Antonio Martins de Farias



segunda-feira, 1 de julho de 2013

TIO NESTOR BORGES


Tio Nestor ao lado do amigo Geraldinho

É necessário lembrar que todo o conteúdo deste texto é de natureza oral e cognitiva, ou seja, são fatos lembrados e vividos na primeira edição da vida do autor; e entre a quarta e a sexta edição do homenageado. É que Nestor Borges da Costa, hoje, vivendo na casa dos seus noventa anos deixou muitas lembranças e exemplos de vida que valem a pena ser narrados como legado para a juventude.
Nestor Borges da Costa é filho de João Borges da Costa e de dona Joana. Tio Nestor foi nascido e criado no sítio Barrocas, município de Barra de São Miguel, PB
No Sítio Barrocas, Nestor cresceu, dançou forró e namorou muito. Quando se casou com Lieta Maria de Farias, com quem teve os seguintes filhos: Antonio Nestor da Costa, Graciete Borges da Costa, Amaro Borges da Costa, Gení Borges da Costa e Aluísio Borges da Costa. Dos filhos de tio Nestor, apenas Amaro já se encontra na morada definitiva. Não teve a sorte de conviver com seu pai, nas Barrocas, que tanto amou e tanto gostava. Amaro nunca se esquecia das Barrocas; e só descansou quando para ela voltou.
Tio Nestor quando se casou foi ser vaqueiro de um fazendeiro, cujo nome era Mario,  no município de Vertentes; o lugar se chama Barreira Vermelha. Lá nasceu seu primogênito Antonio Nestor da Costa, que teve como padrinho o jovem paquerador Jorge. Jorge era um romântico, gostava de andar sempre de forma impecável; montava um cavalo branco, parecendo mesmo ser o de São Jorge.
Em seguida tio Nestor foi ser vaqueiro, na fazenda Riachão, de Abílio Pedrosa. Lá nasceram: Graciete, Amaro, Gení e Aluísio. Ainda na década de 60 mudou-se para as Barrocas, onde fixou residência por longos anos. Infelizmente, sua primeira esposa, tia Lieta, faleceu deixando-nos com eternas saudades. Novamente tio Nestor se casou com dona Neves, cuja família morava na cidade de Barra de São Miguel, PB, passando bons anos em seu torrão, mas por necessidades foi morar na cidade da Barra, onde vive até a presente data.
Nestor Borges da Costa, na juventude, era um grande trabalhador; um grande vaqueiro e exímio dançador de forró e de quadrilha. E tinha como característica principal um fazer amigos. A casa era repleta de gente felicidade, que até o presente momento nos  leva à nostalgia.
Foi um pai honroso e muito cuidadoso. Tinha verdadeira paixão pelo que fazia. Adorava um forró ou uma festa fosse ela aonde fosse, embora a vaquejada fosse a sua  preferência.
Quando de seu retorno às Barrocas, seu filho Aluísio, o caçula, ainda era muito pequeno. O autor desta, também menino, presenciou e ouviu o seguinte diálogo entre tio Nestor e o caçula. Perguntava tio Nestor:
 - Aluísio é bonito?
Respondia Aluísio:
- Sim, sou, Papai!
Respondia tio Nestor:
-Que nem o bumbum do cabrito!
Aluísio, manhoso, chorava. Não há como escrever tudo o que tio Nestor representa para nós, mas uma certeza temos: tio Nestor é um exemplo para ser seguido. E eu o sigo e seguirei, para sempre. Tio Nestor é meu segundo pai.

Por: Antonio Martins de Farias


segunda-feira, 24 de junho de 2013

Nota

                                                 Nota
     A comunidade de Serra dos Bois vem por meio desta, esclarecer  a quem interessar, que as festividades  religiosas do padroeiro São Pedro, prosseguem sem alterações de 27 a 30 de junho, sendo  cancelado apenas, a festa social ou profana  em respeito as famílias que perderam seus ente queridos  recentemente, Dona Lilí, Dona Socorro, Paulo Farias e de forma trágica, Adalbertinho e Miriam do posto de saúde,  todos eles, nossos parentes e amigos.
A comunidade agradece a compreensão e ao mesmo tempo,  presta suas condolências aos familiares por tão grande perda.

Serra dos Bois, 24 de Junho de 2013:

Assinada: Geraldo filho, Geraldinho.   

sábado, 22 de junho de 2013

Palma resistente a cochonilha chega a Taquaritinga


A busca por soluções de enfrentamento a seca e de alternativas que possam garantir a alimentação dos rebanhos vem norteando as ações da Secretaria de Agricultura e Pecuária de Taquaritinga do Norte. Além da seca uma grave ameaça que vem rondando o município é a Cochonilha do Carmim, inseto que se alimenta da seiva das plantas e além de sugar, também pode introduzir vírus ou toxinas que podem destruir a palma forrageira dentro de poucos meses se não for combatida rapidamente e não existe no mercado defensivos eficientes para seu controle.
Esta praga vem causando enormes prejuízos à pecuária dos estados da Paraíba, Ceará e Pernambuco, onde já foi encontrada em 39 municípios, pois vem destruindo plantações de palma forrageira, espécie vegetal vista como a salvação do rebanho devido a sua resistência a seca e ser um excelente alimento para os rebanhos.
Vendo esta ameaça aproximar-se de Taquaritinga, a Secretaria de Agricultura e Pecuária vem incentivando e orientando os agricultores através de reuniões nas associações e no Conselho de Desenvolvimento Rural Sustentável a buscarem alternativas para combater ou conviver com a Cochonilha do Carmim. Em 2011 um grupo de agricultores representantes das associações rurais foram à cidade de Venturosa (PE) num intercâmbio para ver variedades de palmas resistentes à praga e em 2012 as primeiras mudas das variedades Orelha de Elefante e da Palma IPA-Sertânia chegaram a Taquaritinga do Norte no Assentamento Fazenda Nova Esperança, localizado no Sitio Situação.
Diante do avanço da praga que já foi registrada nas cidades vizinhas de Santa Cruz do Capibaribe, Brejo da Madre de Deus, Barra de São Miguel e Alcantil, a Secretaria de Agricultura e Pecuária, o Conselho de Desenvolvimento Rural Sustentável, o IPA e os Sindicatos voltaram a discutir e buscaram soluções para este problema e as ações já começaram a chegar em Taquaritinga, onde no dia 16 de junho as comunidades de Serra dos Bois e Pedra Preta receberam 15 mil mudas que foram adquiridas pelos agricultores ao custo de 25 centavos a unidade, vindas da cidade de Caturité (PB) com o transporte sendo custeado pela Prefeitura da Dália da Serra.
A Prefeitura de Taquaritinga do Norte vai adquirir 20 mil mudas de palma para o programa Fome Zero animal da Secretaria de Agricultura e Pecuária onde varias ações são realizadas como estratégia de segurança alimentar animal desde a construção de silos até a introdução de plantas resistentes a estiagem que sirvam de alimentos para o rebanho. As mudas de palma serão distribuídas num sistema de multiplicação onde 10 associações rurais vão definir 10 associados e cada um receberá 200 mudas de Palma Orelha de Elefante e no primeiro corte que acontece aproximadamente com um ano, os agricultores devolverão as 200 mudas para serem repassadas para outros agricultores, atendendo desta forma 100 famílias por ano com as plantas produzidas no próprio município.
“Ações como o Fome Zero Animal ajudam a fixar o homem ao campo e proporcionam o fortalecimento da agricultura familiar no município”, declarou o Secretário de Agricultura e Pecuária Júlio César.

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Poetas homenageados em Taquaritinga do Norte

O poeta Geraldinho, foi um dos homenageados na noite literária que faz parte das comemorações dos 126 anos de emancipação politica de Taquaritinga do Norte.
Junto ao Geraldinho, foram homenageados os poetas Manoel Barbosa Camelo, José Américo, e Wilma Torres poetiza e cordelista que fez o lançamento do seu livro ‘’O Sitio do tio bau’’ obra que já foi adotada por varias escolas.  
A homenagem aconteceu na câmara dos vereadores casa José Lucas de Araújo. Em seu discurso, Geraldinho agradeceu a homenagem recebida, e enfatizou a importância de se valorizar a cultura e incentivar as novas gerações a darem continuidade.
Na oportunidade foram apresentadas as biografias dos homenageados e expostas fotos de cada poeta junto com poesias de autoria dos mesmos. Enfocando a historia da cidade e suas belezas naturais. Geraldinho apresentou na ocasião a poesia Taquaritinga Rosto de Princesa.


A noite literária é promovida pela Secretaria de Educação através da diretoria de cultura. 

Poesia e biografia de Geraldo Filho
Família prestigiando o artista da terra
Discurso do poeta
  

Parcerias para a busca de qualidade de vida!

A associação de agricultores de Serra dos Bois recebeu e distribuiu 33 filtros através da Secretaria de Saúde do Município. A ação faz parte do programa de enfrentamento da seca desenvolvido pelo governo estadual.
O filtro vem equipado com vela cerâmica, objeto que purifica a água pelo sistema de filtragem. A parceria permite que a associação identifique as famílias carentes para receberem o beneficio.
“Essas ações são muito importantes para a comunidade, porque melhoram a qualidade de vida das pessoas, e nós estaremos buscando-as por mais simples que pareçam”, declarou Geraldinho presidente da Associação dos Agricultores de Serra dos Bois.    


Alguns dos beneficiados com os filtros adquiridos a partir da parceria

sexta-feira, 17 de maio de 2013

LEMBRANÇAS DAS FAZENDAS




Parece estranho se sentir saudade daquilo que nunca nos pertenceu. Não nos pertenceu do ponto de vista jurídico material ou econômico, mas as fazendas têm um valor histórico e cultural que deve ser lembrado e guardado para futuras gerações. Assim, anima-nos a relatar fatos referentes às fazendas que fazem fronteira com Serra dos Bois.
A fazenda Lagoa do Canto, de seu Severino Malaquias, cujo vaqueiro mor foi José Ananias de Farias, carinhosamente conhecido por Zé Ananias, nos fez muito bem. Ajudou-nos a construir valores que nunca se apagarão de nossas memórias. Na fazenda Lagoa do Canto, existia, por exemplo, uma cacimba que quando nas épocas de seca se tirava água para os animais não morrer de sede. Foi na fazenda Lagoa do Canto, que  Pe. Jonas, filho de Taquaritinga do Norte, passou boa parte de sua infância, pois todo inverno rigoroso na serra de Taquaritinga, obrigava aos seus moradores passar uns dias no cariri e curtir suas belezas.
Na fazenda de Chico Elói, mais tarde de Dr. Osair, ex-prefeito de Vertentes, também teve um passado muito bom que, portanto, deve ser lembrado. Cada fazenda tem um vaqueiro. Cada vaqueiro tem sua história. A fazenda de Chico Elói seus vaqueiro costumava ser sisudos, não gostando de muita conversa ou de fazer amizade com os vizinhos; se fechavam nas porteiras da fazenda e para eles não existia outro mundo. Como toda regra tem exceção tivemos seu Bau, cujo nome verdadeiro deve ter sido Severino. Seu Bau recebia todos em sua casa e sua família era muito unida. Luzinete, sua filha, foi aluna de Silva Borges e muito amiga da família de seu Nestor Borges. Nas épocas de São João, nós crianças íamos com nossos pais à fazenda de Chico Elói, quando seu Bau era vaqueiro comer pamonha e dançar forró ouvindo as rádios de Caruaru ou de Campina Grande, num velho rádio. O Autor desta história, quando criança, chegou a tocar em seu pé de bode, ou em seus oitos baixos, na casa de seu Bau. Só tocava uma música: Juazeiro, de Luiz Gonzaga, mesmo assim o pessoal dançava. Seu Genésio, outro vaqueiro muito amigo, e vaqueiro da fazenda do Poço, de seu Ismael, ex-prefeito de Barra de São Miguel, também alegrava o povo contando boas piadas de salão. As noites de são João em Serra dos Bois e nas Barrocas eram animadas. Cada uma com seu jeito de ser.
A fazenda Açude Novo dispensa comentário, pois lá morava meu amigo Abdom Pereira da Silva, pai de Ivanildo, Iraci, Fátima, Antônia, José, Lindalva e Severino. Essa fazenda pertenceu à família Guerra a Deda Holanda, ex-prefeito de Taquaritinga do Norte. Sendo depois adquirida por seu Oliveira, fazendeiro rica cidade de Surubim, PE. Seu Abdom era um amigo do peito. Gostava de cachaça e pega do boi. Aonde tivesse uma vaquejada estaria Abdom e Ivanildo, seu escudeiro. Seu Oliveira não gostava de gastar ou investir em sua fazenda, mas a família Arruda e Pedrosa ajudaram muito ao povo de Serra dos Bois, Pedra Preta, Jerimum e sítios vizinhos, pois contratavam permanentemente trabalhadores para fazer cerca e carvão, limpar barreiros e construir açudes. Assim todos, de certa forma, contribuíram para se ter uma vida digna e honrada, pautada no trabalho e na honra do povo.
Vaqueiros históricos passaram pela fazenda Boa Vista, de Severino Arruda.  Odílio Borges, e Sebastião Cocó e seus filhos. Já a fazenda Lajedo, de seu Agnelo Pedrosa, teve um vaqueiro famoso chamado Augusto Ferraz, o homem a quem o boi Mulatinho obedecia. Restando a fazenda Maniçoba onde o mestre Alfredo Borges da Costa, fez sua história.
De vaqueiro e fazenda não falamos de todos, mas valeu pela lembrança de tantos personagens que nunca morrerão e nem sairão de nossas mentes.

Antonio Martins de Farias